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ESQUIÇO DROMOSCÓPICO

Ao ar livre! Sobre o tempo. A Red Cloud Teatro de Marionetas mergulha em instantes e investiga através do tempo e das perceções. Em translação amplia imagens aparentemente estáticas. Propõe o início de um jogo cinemático em que personagens redimensionadas, música e imagem constituem os elementos para a criação.

ESQUIÇO DROMOSCÒPICO

As várias perceções do tempo como mote para a relativização e comparação de escalas entre o ser humano e a dimensão incomensurável do universo.


Ir ao encontro da fragilidade da escala humana e ao mesmo tempo provocar uma atitude reflexiva. Através do cruzamento de várias linguagens: cinema, ilustração, marionetas, máscaras, atores e música ao vivo, a Red Cloud Teatro de Marionetas propõe jogar com as várias perceções do tempo e como o entendemos de forma reflexiva e lúdica. Neste contexto, é impossível não refletir sobre o espaço. Na era da grande evolução tecnológica, a noção de espaço e de território torna-se cada vez mais indefinida, liquidificada.  O espaço configura-se como infinito e indefinido. Pode-se estar virtualmente e em simultâneo nos mais variados lugares e esse fato altera a perceção de tempo/distância, de duração dos processos e dos movimentos. É proposto, no espetáculo, um instante de desaceleração, de pausa.


Entre laboratórios e investigação teórica em torno de questões filosóficas, sociais e científicas, deu-se o encontro com o “tempo” cíclico da guerra, padronizada no “nosso” tempo. Levantam-se as questões (sem resposta) tais  como: se o ser humano é “bom” ou “mau” por natureza, ou se por outro lado se trata de uma questão de sobrevivência.


O jogo do poder acontece em grandes e pequenas escalas e o controlo do tempo é uma estratégia global. O que é que se faz com o tempo? Quem manda no nosso tempo? Enquanto a sobrevivência estiver em primeiro plano, resta pouco tempo para a reflexão.


Toda a trama dramatúrgica e estética de “Esquiço Dromoscópico” aprofunda e explora um jogo de perceções entre a dimensão do quotidiano e a existência do planeta, à nossa escala, indecifrável. Como resistência, em forma de consciência, face à aceleração constante, encontrámos na interação das várias linguagens artísticas, o espaço cénico e na duração do tempo, o mote para a criação. É proposta a submersão e interação do espectador para decifrar toda a trama, que no fundo pretende provocar uma reflexão sobre a forma como cada individuo passa pela vida.


Com o título “Esquiço Dromoscópico” direcionamos as intenções artísticas e opções estéticas. É um conceito encontrado no livro de Paul Virilio “Cinema e Guerra".


“A própria representação pictórica é já é um esquiço dromoscópico, dado que o seu procedimento de construção é sistemático: trata-se da justaposição de episódios autónomos em que o procedimento habitual `2+1´e concebido como um ritmo imposto à retina humana, sendo a animação produzida por aquilo que os Egípcios designavam como vitalidade luminosa. A expressão demonstra até que ponto os Egípcios dominaram o problema anatómico da perceção e da produção da aparência, não como um dado. mas como uma operação ativa do espírito, algo que seria redescoberto bem mais tarde por pintores como Georges Seurat, com o divisionismo, Wassily Kandinsky e por cineastas como Gance, para quem é preciso falar primeiro aos olhos. No Egipto não existe simetria, mas antes equivalências: as paredes de imagens, faixas de calcário pintadas de alto a baixo onde desfilam figuras `em ação´.”

(Virilio, Cinema e Guerra)


Como tal, todo o texto e espetáculo é concebido por um conjunto de imagens que no seu visionamento global deve entender-se o “todo”. Das “fontes” para a escrita do texto e da sua relação para a composição da cena teatral emergiram vários pontos de vista não obstantes da sua funcionalidade para o que se pretende transmitir.


A utilização da imagem, do cinema ao vivo, aprofunda e provoca um certo distanciamento entre a gravidade do conteúdo e a ludicidade da estética. Procurando o contacto, a transmissão dos conteúdos ao público através dos cruzamentos disciplinares.


Apresentamos uma sucessão incomum de ligações e interações e repetições, mas de forma nenhuma sem sentido. Em palco estão em cena os atores, o músico e o operador de imagem, os quatro fazedores de um momento espetacular.

 

                                                                                                                                                          Sara Henriques (2019)

DROMOSCOPIC SKETCH


The various perceptions of time as motto for the relativization and comparison of scales between the human being and the immeasurable dimension of the universe.


Meeting the fragility of the human scale and at the same time provoking a reflective attitude. Through the intersection of various languages: cinema, illustration, puppets, masks, actors and live music, the Red Cloud Puppet Theater proposes to play with the various perceptions of time and how we understand it in a reflective and playful way. In this context, it is impossible not to reflect on space. In the age of great technological evolution, the notion of space and territory becomes increasingly undefined, liquefied. Space is configured as infinite and undefined. One can be virtually and simultaneously in the most varied places and this fact alters the perception of time / distance, the duration of processes and movements. It is proposed, in the show, a moment of deceleration, of pause.


Between laboratories and theoretical research around philosophical, social and scientific issues, came the encounter with the cyclical "time" of war, standardized in "our" time. The (unanswered) questions arise such as whether the human being is "good" or "bad" by nature, or whether it is a matter of survival.


The game of power happens on large and small scales and time management is a global strategy. What do you do with time? Who rules in our time? While survival is in the foreground, there is little time left for reflection.


The whole dramaturgical and aesthetic plot of "Dromoscopic Sketch" deepens and explores a set of perceptions between the dimension of everyday life and the existence of the planet, on our scale, indecipherable. As resistance, in the form of consciousness, in the face of constant acceleration, we found in the interaction of the various artistic languages, the scenic space and the duration of time, the motto for creation. It is proposed the submersion and interaction of the viewer to decipher the whole plot, which deep down intends to provoke a reflection on how each individual goes through life.


With the title "Dromoscopic Sketch" we direct the artistic intentions and aesthetic options. It is a concept found in Paul Virilio's book Cinema and War.


“Pictorial representation itself is already a dromoscopic sketch, since its construction procedure is systematic: it is the juxtaposition of autonomous episodes in which the usual` 2 + 1´ procedure is conceived as a rhythm imposed on the human retina, being the animation produced by what the Egyptians called luminous vitality. The expression demonstrates to what extent the Egyptians dominated the anatomical problem of perception and appearance production, not as a given fact. but as an active operation of the spirit, something that would be rediscovered much later by painters like Georges Seurat, with divisionism, Wassily Kandinsky, and filmmakers like Gance, for whom one must speak first to the eyes. In Egypt there is no symmetry, but rather equivalences: the walls of images, limestone bands painted from top to bottom where figures 'in action' parade.” (Virilio, Cinema and War)


As such, the whole text and spectacle is conceived by a set of images that in their overall vision must be understood as the “whole”. From the "sources" for the writing of the text and its relation to the composition of the theatrical scene emerged several points of view, not impeding its functionality to what it is intended to convey.


The use of image and live cinema deepens and causes a certain distance between the gravity of content and the playfulness of aesthetics. Seeking contact, the transmission of content to the public through disciplinary crossings.


We present an unusual succession of links and interactions and repetitions, but by no means meaningless. On stage are the actors, the musician and the image operator, the four makers of a spectacular moment.
 

Sara Henriques (2019)

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