Lobo Mau

 

 

Cada Ovelha tem um Lobo

Cada Lobo tem 1002 Ovelhas…

E se uma Ovelha tiver 1002 Lobos?

E se cada Lobo tiver uma Ovelha?

É a mesma coisa?

Quantos Lobos tem um Homem?

Imagens que às vezes flutuam, voam, ficam a pairar, e caem com todo o peso da gravidade, com a força de um carimbo, entre o absurdo e o surreal espelhando o insólito de lupa na mão.

 

Apresentado sem texto, numa dinâmica de comédia visual e uma constante interligação entre o intérprete e o desenho animado em projeção.

 

Espectáculo coproduzido pelo CineTeatro de Estarreja.

Bad Wolf

 

 

Each Sheep has a Wolf

Each Wolf has 1002 Sheep…

What if one Sheep has 1002 Wolves?

And each Wolf has one Sheep?

Is it the same thing?

How many Wolves has One Man?

 

Images that sometimes float, fly, hover, and fall down with all gravity's weight, with the dint of a stamp, between the absurd and the surreal mirroring the unusual holding a magnifying glass.

 

Performed without text, within the dynamics of visual comedy and a constant interconnection between the actor and the projected animations.

 

Coproduced by - CineTeatro de Estarreja.

LOBO MAU

A população está subjugada a viver no limite, na sobrevivência onde não resta tempo para questionamentos. Importa, apenas, o consumo para gerar capital, que transforma, destrói particularidades das sociedades e culturas de vários povos através de uma globalização esmagadora - pelo poder, pelo dinheiro – que gera medo, desconfiança e superficialidade entre os indivíduos.
Lobo Mau é um espetáculo de teatro centrado na exploração das possibilidades de comunicação através de uma linguagem visual geradora de diferentes significados, para o público familiar e para o público em geral. Neste espetáculo abordam-se questões que envolvem a relação do ser humano consigo próprio, tendo como ponto de partida a frase:
                                                               “O Homem é o Lobo do Homem”


Entende-se a relação entre o medo e a política, o medo como sustentação para o desenvolvimento de questões relacionadas com interesses que pouco se centram na qualidade de vida do indivíduo. Atualmente, assistimos a pessoas a serem induzidas a contratos dúbios através de um jogo psicológico baseado no medo do futuro, do presente e do “outro”.
 
O impulso para a criação deste espetáculo surge da vontade de contrariar o pensamento e as linhas comuns na perspetiva social e humana de correto ou incorreto, utilizando o “Lobo Mau”, que no imaginário coletivo tem uma correspondência direta com o sentimento de medo ou, por outro lado, de poder. Iniciamos então a viagem, ao longo do espetáculo, relativizando paulatinamente a ideia comum de lobo mau.
No imaginário ocidental, o lobo é o representante supremo do outro ameaçador e não domesticado da natureza. Ao longo da história, a ingovernabilidade dos lobos lhes dá uma dimensão mítico-imaginária que encontra seu caminho na cultura popular e lenta, mas seguramente eclipsa seu retrato mais objetivo dos naturalistas. (...). À medida que crescia o senso de ingovernabilidade, os lobos eram retratados publicamente como sendo maiores do que realmente são; eles cresceram e se tornaram gigantes no imaginário público americano e europeu dos séculos XVII e XVIII. Eles também são sempre imaginados como muito mais fortes do que são, dotados de força sobrenatural. Aqueles de nós que cresceram nas sombras da cultura europeia herdaram tal imaginário através dos vários contos europeus que incorporam o mito do lobo; todos nós sabemos que eles não podem, em nenhum momento, engolir nossas avós, para não mencionar nossas mais bonitas e inocentes meninas. Hoje, enquanto os lobos estão sendo reabilitados em vários programas de "reflorestamento", o lobo continua a fornecer-nos uma metáfora fundamental para definir aqueles que ameaçam nosso domínio soberano. (...) Pode-se dizer facilmente que os muçulmanos percebem no Ocidente hoje o que a especialista etno-zoologista e lobeira Geneviève Carbone observa sobre os lobos na história ocidental. Existem muitos fatos e muitas lendas circulando sobre os lobos, mas "entre fatos e lendas, o medo construiu um império de exagero onde eles se tornaram os eternos acusados" (Carbone 1991: 14). As imagens emocionalmente carregadas e razoavelmente fantasmagóricas do lobo feroz e assassino tornaram-se parte integrante da realidade europeia do lobo. (Hage, 2017, p.9-10)  
 
Apesar de estarmos conscientes de que vivemos numa era em que os mecanismos de controlo social estão transformados e adaptados à evolução tecnológica, fruto da grande industrialização, este espetáculo é construído numa procura de jogo entre os vários “papéis” sociais, os arquétipos. O mote surge no seguimento de uma reflexão um tanto niilista e progressista sobre a essência do ser humano, através de um ponto de vista cómico. Sem a pretensão de querer vitimizar o mais fraco ou culpabilizar o mais forte,  propomos, pela trama e pelo dispositivo cénico contemporâneo, uma janela arcaica, mas subtil nas entrelinhas, para a perceção do ser humano, com o devido afastamento a fim de se percecionar a si, ao mundo que o rodeia e responsabilizar-se, nas suas ações, contrariando a tendência natural para a culpabilização do “outro”, desresponsabilizando-se de quaisquer ações por ignorância e obediência àquele que é considerado “superior” . O medo é estrutural na nossa cultura e devemos conviver com ele: temos medo da fome, da morte, da violência e o poder exerce-se quando há em quem o aplicar.
Procurámos suscitar uma provocação para o fim das ilusões uma aceitação ou opção conscientemente. 
Em forma de questionamento, ou até mesmo estranhamento, tentámos quebrar a lógica de uma narrativa linear na exploração dos polos de ambiguidade e simplicidade através da estrutura de uma mecânica lúdica. Através do impulso de educar na diversão e provocar questionamentos desde tenra idade.

Sara Henriques (2018)
 

BAD WOLF

The population is subject to living on the edge, in survival where there is no time left for questioning. It only matters consumption to generate capital, that transforms, destroys particularities of the societies and cultures of various peoples through an overwhelming globalization - for power, for money - that generates fear, distrust and superficiality among individuals.

BadWolf is a theater piece focused on exploring the possibilities of communication through a visual language that generates different meanings, for the family and the general public. This show addresses issues involving the relationship of the human being with himself, starting with the phrase


“Man is the Wolf of Man”


It is understood the relationship between fear and politics, fear as support for the development of issues related to interests that focus little on the quality of life of the individual. Today we see people being induced into dubious contracts through a psychological game based on fear of the future, the present, and the "other."


The impetus for the creation of this spectacle arises from the desire to contradict thought and common lines in the social and human perspective of right or wrong, using the “Big Bad Wolf”, which in the collective imagination has a direct correspondence with the feeling of fear or, on the other hand, of power. We then began the journey throughout the show, gradually relativizing the common idea of ​​the big bad wolf.

In the Western imagination, the wolf is the supreme representative of the other threatening and untamed nature. Throughout history, the ungovernability of wolves has given them a mythic-imaginary dimension that finds its way into slow, popular culture but surely eclipses its most objective portrayal of naturalists. (...). As the sense of ungovernability grew, wolves were publicly portrayed as being larger than they really are; they grew into giants in the American and European public imagination of the seventeenth and eighteenth centuries. They are also always imagined as much stronger than they are, endowed with supernatural strength. Those of us who grew up in the shadows of European culture inherited such imagery through the various European tales that embody the myth of the wolf; We all know that they cannot, at any moment, swallow our grandparents, not to mention our most beautiful and innocent girls. Today, while wolves are being rehabilitated in various "reforestation" programs, the wolf continues to provide us with a fundamental metaphor for defining those that threaten our sovereign rule. ... It can easily be said that Muslims perceive in the West today what ethno-zoologist and lobbyist Genevieve Carbone observes about wolves in Western history. There are many facts and many legends circulating about wolves, but "among facts and legends, fear has built an empire of exaggeration where they have become the eternal accused" (Carbone 1991: 14). The emotionally charged and reasonably ghostly images of the fierce killer wolf have become an integral part of the wolf's European reality. (Hage, 2017, p.9-10)


Although we are aware that we live in an era in which the mechanisms of social control are transformed and adapted to technological evolution, the result of the great industrialization, this spectacle is built in a search for a match between the various social "roles", the archetypes. The motto arises following a somewhat nihilistic and progressive reflection on the essence of the human being, from a comical point of view. Without pretending to want to victimize the weaker or blame the strongest, we propose, through the plot and contemporary scenic device, an archaic but subtle window between the lines, for the perception of the human being, with the necessary distance to perceive himself, the world around him and take responsibility in his actions, contradicting the natural tendency to blame the “other”, disclaiming any actions for ignorance and obedience to the one who is considered “superior”. Fear is structural in our culture and we must live with it: we are afraid of hunger, death, violence, and power is exercised when there is on who to apply it.
We have sought to arouse a provocation for the end of illusions to consciously accept or choose.


In the form of questioning, or even strangeness, we have tried to break the logic of a linear narrative by exploring the poles of ambiguity and simplicity through the structure of playful mechanics. Through the urge to educate in fun and provoke questions from an early age.

Sara Henriques (2018)

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